Espaço Sagrado para a Igreja de um        Novo Tempo.             
                 Por: Alexandro Cardoso 

As novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas na 46ª Assembléia dos Bispos, em Itaici, chamam a atenção quanto a qualidade da arquitetura das nossas igrejas, para que elas cumpram com a sua função de “favorecer o encontro entre as pessoas e o encontro com Deus” e de “ser sinal sensível do mistério que ali se celebra” (n.77).


 O espaço bem organizado, disposto em respeito ao bom andamento da liturgia, com obras de arte e ornamentação adequada, expressa uma Igreja viva e pode ter um papel importante na promoção de duas das exigências da Evangelização, propostas pelas Diretrizes: o diálogo, abertura e escuta do outro, e o anúncio da mensagem do Evangelho. 

O diálogo, encontro entre as pessoas, pode ser facilitado por um espaço que promova a celebração e convivência. Uma construção funcional, bem orientada em relação ao conforto térmico, com boa performance acústica, iluminação adequada, de cores e formas belas e acolhedoras, contém uma dignidade, é a expressão material do desejo de comunidade que ali se reúne. 

O edifício da igreja deve permanecer como um anúncio da mensagem do Evangelho, e nos conduzir ao Mistério de Deus, do Cristo, da Igreja; pode ser um espaço de catequese permanente, acessível a todos. “A beleza, a dignidade e a simplicidade do espaço, devem estar em sintonia com a beleza do Mistério Pascal de Cristo” (n.77). A iconografia e a composição da assembléia, a disposição das peças do presbitério, a localização do batistério, capela do Santíssimo, o local da reconciliação, o uso criativo da luz natural, podem oferecer um percurso didático de iniciação, de contemplação, e ajudar na realização dos Sacramentos. 

 Para coordenar todas as condicionantes do projeto e execução de uma construção, e as possibilidades de expressões plásticas, as Diretrizes afirmam a necessidade de se contar com profissionais das artes e da construção civil, com formação específica na área de arte sacra e do espaço litúrgico. 
O padre e a comunidade devem estar preparados para assumir uma posição crítica nas escolhas relativas à construção dos seus espaços. As Diretrizes da Ação Evangelizadora consideram urgente a “implementação, nos regionais e nas dioceses, das Comissões de Espaço Litúrgico, compostas preferencialmente por especialistas nas diferentes áreas (artistas, arquitetos, engenheiros, liturgistas...)” (n.77).

"Uma fé que não se torna cultura é uma fé que não é plenamente acolhida, nem inteiramente vivida". João Paulo II

 O cuidado com o espaço litúrgico é parte constitutiva da Pastoral Litúrgica, que é o conjunto dos “esforços e iniciativas para animar a vida litúrgica de uma comunidade, paróquia, diocese, região, levando em conta sua realidade histórica, cultural, social, eclesial, de modo que todos os cristãos possam participar da liturgia de forma ativa, consciente, plena e colher dela os frutos espirituais”(n.80).


"Um Espaço Físico é recuperado para Deu e para o Homem. 
È o limiar do Paraíso, a Jerusalém Nova, onde a Igreja, comunidade convocada celebra o Memorial do Senhor".
C. Pastro